segunda-feira, 30 de junho de 2008

Olhando pá drento...


Estou ostra, again (ollhando para dentro). E resolvi que o post da semana seria uma reflexão. Uma coisa para pensar nada vida, entende? Ah, sei lá, entende?
O bom de eu ser a chefe aqui do Bembi é que me sinto livre para escrever bizarrices e ninguém corta meus textos. Azar é o seu, caro leitor. Aha!


Só queria isso, nesta semana:
Viver uma vida desapaixonada e culta, ao relento das idéias, lendo, sonhando, e pensando em escrever, uma vida suficientemente lenta para estar sempre à beira do tédio, bastante meditada para se nunca encontrar nele.

Viver essa vida longe das emoções e dos pensamentos, só no pensamento das emoções e na emoção dos pensamentos. Estagnar ao sol, douradamente, como um lago obscuro rodeado de flores.
Ter, na sombra, aquela fidalguia da individualidade que consiste em não insistir para nada com a vida. Ser no volteio dos mundos como uma poeira de flores, que um vento incógnito ergue pelo ar da tarde, e o torpor do anoitecer deixa baixar no lugar de acaso, indistinta entre coisas maiores.
Ser isto com um conhecimento seguro, nem alegre nem triste, reconhecido ao sol do seu brilho e às estrelas do seu afastamento. Não ser mais, não ter mais, não querer mais... A música do faminto, a canção do cego, a relíquia do viandante incógnito, as passadas no deserto do camelo vazio sem destino...
(O Livro do Desassossego, Bernardo Soares)

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