
Querido Papai Noel
Não sei se é trauma de infância ou problema com vidas passadas. O que acontece é que eu não gosto de Natal. Nada contra o nascimento de Jesus. É que essa histeria coletiva no shopping me entristece, sabe? Ah, me irrita também, é claro.
Depois que tive minha filha, até gosto mais, pois a vejo na expectativa da data e isso me alegra. Mas não é meu mês preferido do ano.
Se o senhor existisse eu queria pedir umas coisas:
- Queria que o espírito natalino não deixassem as pessoas chatas mais chatas e mais sentimentalóides. Ok, é Natal, mas da um tempo. Vá abraçar estranhos lá longe.
- Queria que festinhas de fim de ano da empresa fossem banidas. Ah, nem sempre lembro o nome do carinha que encontro no bebedouro e seria mals ser a amiga secreta dele. Também odeio festinhas em pizzaria. Toda a pizzaria tem gente de fiRRma reunida celebrando e me enlouquecendo.
- Queria um ano novinho com mais amor no mundo e mais tempo de sobra para eu poder curtir meus amores.
- Queria comer um chocolate e meu corpo estranhar e me fazer perder 3 kg
- Queria acordar todo dia bem cedinho e não ficar mau humorada no ônibus. Ou queria um carro. Se vir com ar condicionado, será muito legal.
- Queria um atestado de garantia de que eu sempre serei uma mãe legal. Queria uma garantia também se ser uma mãe com mais paciência.
- Queria reunir vários amigos do passado e do presente para uma super festa de 30 anos ( daqui dois anos)
- Quero conquistar o sonho da classe média: casa própria, carro e contas pagas em dia.
- Quero me sentir satisfeita ao ter o sonho da classe média. Quero parar de sentir tédio com as coisas prosaicas e rotineiras. Não serei representante da ONU em nenhuma convenção, tampouco poderei colocar um mochilão nas costas sem data para voltar da Europa.
- Por fim, quero que o senhor prometa atender o meu pedido mais importante: quero paz. Paz e saúde. Para mim, minha família e minha cria. Para esta última quero a garantia de um mundo com menos aquecimento global, água potável, saúde perfeita e sonhos realizados. Caso os sonhos dela não se realizem sempre, não deixe que falte à ela bom humor para rir da vida e seguir adiante.
Acho que é isso, Papai Noel. Não ficarei na fila para entregar essa carta no Shopping. Mas se o senhor passar por aqui e resolver me atender... quem sabe ano que vem tomo um calmante e lhe encontro numa fila dessas?


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