sexta-feira, 9 de abril de 2010

Sobre o direito de dizer, de rir, de ser normal e incorreto

"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.” (Nietzsche)






Esse post é só um desabafo. Eu ando cansada com essas incongruências das normas, leis e regrinhas de convívio social.

Tenho vivido determinadas situações que me levam a crer que vivemos numa espécie de ditadura militar repaginada, com direito a dedos na cara e julgamentos precipitados.



Meu amigo tão querido, Fábio Bruggeman, escreveu semana atrás sobre “O Direito de Dizer”, em seu blog. Leia aqui.



Fábio conseguiu mais uma vez me calar. Por disse justamente aquilo que eu quero dizer agora. Não podemos mais ter a liberdade de pensar, querer e sentir como ingenuamente pensava que tínhamos. Eu sou do tipo que acredita na democracia, apesar de saber que, muitas vezes, ela é só uma palavra.



Queria poder continuar rindo e falando certas bobagens, seja aqui, no twitter ou em uma mesa de bar, sem sentir aquela culpa cristã que me faz querer justificar as besteiras ditas a cada meia hora.



Fica aqui me desabafo. Fica aqui o desejo de seguir sendo livre, sendo leve. Condeno preconceitos e condeno o exagero ao politicamente correto. Que cada um seja livre, seja leve. Que cada um ria das próprias desgraças e traga um pouco mais de purpurina a uma vida que surge caótica até mesmo num dia ensolarado.



Aviso aqui e deixo registrado que seguirei rindo e seguirei tirando onde a perseguindo os evangélicos chatos do centro, os fanáticos de todos os gêneros, os fãs histéricos de bandas escalafobéticas, os militantes, os militares que correm e cantam coisas estranhas na rua da minha casa, seguirei reclamando da falta de noção de alguns humanos, seguirei rogando quem fala que tem “serviço que pega às 8h e larga às 18h”, rirei dos burocráticos e suas pastinhas cheias de papeis chatinhos, terei bronca com quem chama música de canção.... (não me lembro agora do resto, mas é coisa pacas).

5 comentários:

jean mafra em minúsculas disse...

uau: "escalafobéticas" foi foda, neguinha!!!

(e abaixo a ditadura)

Cibele disse...

O "bandas escalafobéticas" não foi pra ti.

Até porque tu pode montar uma banda de forró com axé music e batidas eletrônicas que eu estarei lá, bem ESCALAFÓBETICA com a faixa: We love jean.

Saudades de ti.

Anônimo disse...

CIbs! Cibs! Cibs!

Ligia Moreiras Sena disse...

MUNDO-LIVRE S.A., ultimamente, tem sido só o nome de uma banda que eu adoro, cumádi...

Adoro a frase do Nietzsche que vc citou, mas vou um pouco além.
Os que dançam são julgados insanos por dois grupos de pessoas: um grupo formado por aqueles que não podem ouvir a música. Desses eu tenho dó, porque julgam por recalque. O outro grupo é formado por aqueles que ouvem a música, adoram, mas não têm coragem de se jogar na pistinha.

A maioria pertence a esse último grupo. E eles DETESTAM gente qui nem nóis. Nóis, os pobre, que fala o que pensa, que faz o que quer e que dança quando tá todo mundo olhando, enquantos eles só dançam quando ninguém tá vendo...

Outro dia uma pessoa falou, brincando: nossa, o nome da sua filha é Clara? Não é meio preconceituoso?

E eu pensei: tá aí um ser que não gosta de negão...

Já te falei que nóis, os nego, índio, bugre e gordo tchiamamo?

Frank Maia disse...

e tem mais, bem mais! Viva Bebeéééé e seus petardos no tédio!

E aí? Vamo demolir, vamo sacanear, vamo rir dos índios peruanos vestidos de apache americano cantando musica boliviana prum monte de argentino, bitchooo!

Ibope