quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Comer, Rezar, Amar, Viver, Reviver, Refazer...



Peguei o livro com certo desdém. Pensei: “com tantos livros a serem lidos, livros mais intelectualóides, coisas importante para eu abastecer minha mente insana, não sei se devo ler as aventuras de uma recém-separada”.

Me enganei. Não consegui largar. A narrativa segue solta, bem escrita, uma história linear que me encantou, principalmente pela ironia e bom humor da autora. Ela se torna próxima do leitor e arrisco a dizer que nos joga um charme enquanto lemos. Sim, Liz Gilbert tem uma história interessante, simples. O humor e a verdade são os temperos de uma história real que bem que podia ser a minha. Ou a sua.

Vimos o filme. Meu marido (que tem “Asas do Desejo” em sua lista de favoritos) gostou da história e arrisco a dizer que até se emocionou um pouco. Eu estava ansiosa pelo filme, queria saber se ele era fiel, queria rever o Javier Bardem, queria reviver aquela história que li e me encantei. Confesso que o convidei pra assistir e pensei “ele vai só pela companhia, ou pela Julia Roberts e sua boca enorme. Não pelo filme”.

Eu confirmei minha teoria. As vidas são interessantes e as pessoas se tornam encantadoras não pela lista infinita de livros lidos, países visitados, pele sem rugas ou aquele cabelo maravilhoso. Elas precisam estar dispostas a mudar de rumo, a refazer a rota da vida e a aceitar as derrotas – e principalmente as alegrias (porque tem gente que adora uma sabotagem e nõ sabe viver em paz e feliz).

Uma parte que eu adorei, foi quando Liz, vivida por nada mais nada menos que Julia Roberts, agoniada em um ashram recebe uma dica preciosa do amigo Richard do Texas, interpretado por Richard Jenkins. Ela carregava uma culpa absurda por um divórcio devastador, o amigo sabiamente diz: perdoe você mesma e depois mande vibrações boas a ele.

Parece uma dica de autoajuda. Ingênua até. Mas eu me arrepiei na cena em que, energeticamente, eles se perdoam e conseguem viver suas vidas em paz, sem carregar pedras emocionais e sem culpar o outro pela própria infelicidade.

Pode procurar por aí. O mundo está cheio de gente incapaz de conjugar o verbo VIVER e a se deixar levar pelas tristezas que nos ensinam e pelas alegrias que nos fazem ver que não há um só caminho, nem um pensamento único e inflexível quando se habita esse lado de cá. Estou me sentindo uma Ana Maria Braga quando resolve dar sermão logo cedo na TV. Larguei um mochilão e uma vida louca em Londres pra receber minha filha nesse mundo maluco. Faria tudo de novo, mudo a rota quantas vezes for preciso.

Eu prefiro viver as escolhas que nem sempre são perfeitas e só consigo pensar na propaganda metida a besta da Nextel: "Essa é minha vida, esse é meu clube".

A história de Liz é real. Podia ser sua. Aliás a sua vida também pode ser sua. É só querer.


* Queria mandar uma vibração boa à Ana Beatriz Freccia da Rosa. Querida, cheia de vida e corajosa, resolveu comemorar os 30 anos visitando o 30º país e enchendo ainda mais seu passaporte de histórias e carimbos. A Ana bem que podia ser a nossa Liz Gilbert. Para acompanhar as aventuras dela é só clicar aqui

2 comentários:

Rafa disse...

Fazia um tempinho que não entrava aqui! Você é adoravel mesmo, Cibis! Eu ainda não ví o filme, mas quero ver!

E quero viver tb!

Beijinhos

christiane santoro balbys disse...

Cibela, sabe que estive em SP com uma amiga querida que há muito me inspira. Citei sua viagem ao Peru no meu blog e agora ela me contou de um inusitado reveillon no deserto do Atacama! Lá na Facebook tem também as lindas fotos dela na Índia. Na volta, nasce Theo, seu presente da vida, fruto de aceitação, paciência e fé. Tô doidinha pra ver essa película, guria. beijos!

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