quinta-feira, 23 de abril de 2009

Quem é, é


O jornalista Fabiano Morais lançou uma questão no Blog de OMI . Eu me senti muito honrada em participar da pesquisa. A cada semana ele vai publicar a opinião da mulherada. Aliás, vale dizer que Fabiano Moraes anda dando ouvido à classe feminina. E isso é ótimo!


"Obama disse que o presidente Lula é "o cara". E como você não é o Obama nem o Lula, imagino que sua preocupação principal seja saber se está agradando o sexo oposto, certo? O blog de OMI te ajuda e publica agora a primeira parte da enquete feita com um time de notáveis (amigo, é só mulher bonita, inteligente e bem-sucedida). A mulherada respondeu a seguinte pergunta: O que um homem precisa fazer para ser "o cara"?"

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Francisco, again


Depois de publicar uma foto dele deveras acabadinho da silva e isso ter causado um abalo em nosso relacionamento, mudo meu foco. Porque não quero mais me indispor com Francisco.



"A memória é deveras um pandemônio, mas está tudo lá dentro, depois de fuçar um pouco o dono é capaz de encontrar todas as coisas. Não pode é alguém de fora se intrometer, como a empregada que remove a papelada para espanar o escritório."


Chico, impossível. Leite derramado.

Bobicices Cibelísticas



Era uma tarde fria e cinzenta. A rua não lhe era estranha. Já havia passado por ali. Ela, sim, estava diferente. Não sentia nada. Pensava assim porque era acostumada a sentir tristeza ou alegrias saltitantes. Mas nada. Estava neutra naquela tarde. Entrou em uma livraria e comprou vários lápis coloridos, borrachinhas diferentes e envelopes de cartas, que talvez nunca sejam enviadas. Saiu feliz, cumprimentou um desconhecido e assim a felicidade foi se hospedando novamente. Sentiu saudade. Uma saudade velha de coisas que ela nem tinha vivido ainda. Mas se sentia feliz com seus gostos e manias infantis, como a de colecionar figurinhas ou lápis coloridos. Ou então rir de coisas tolas até chorar. Não conseguia abandonar os velhos tênis e os velhos hábitos. Ela não conseguia crescer. Não conseguia ser adulta sempre.

Quem observava sua vida, pensava que era um mar sem fim de possibilidades. Mas ela não sabia disso. Sentia-se velha demais para voltar ao balé, medrosa demais para realizar velhos sonhos. E ia vivendo assim - pequenos prazeres - disfarçando o vulcão que carregava em si mesma.

Algumas coisas nunca mudam para ela. Muitas vezes se enxerga como uma menina que está envelhecendo rápido demais. O tempo vem escorregando veloz. Segue detestando os intelectuais pretensiosos, abominando os prolixos – embora desate a falar quando eufórica. Detesta gente feita em série. Segue admirando as pessoas curiosas e puras. Inveja os decididos. Sente pena dos fracos, compaixão pelos que sofrem de amor. Inúmeras vezes chorou sem motivo. Outras tantas dançou sozinha e cantou visceralmente.

Naquela tarde, ao passar por esta rua da cidade, lembrou que um dia saiu do trabalho, no meio do expediente, aos prantos. Era dezembro e na loja ao lado havia uma música natalina irritante-depressiva. Deixou uma cliente falando sozinha e saiu porta afora chorando. Sentia uma dor que nem sabia se era sua. E nesta mesma rua, uma senhora que nunca a tinha visto, ao ver seu pranto, lhe deu um abraço e disse: “seja o que for, passará.”
A frase era clichê. O abraço desconhecido. Mas cumpriu seu papel de deixá-la menos desamparada. O choro da tristeza cessou, mas veio o da comoção pela generosidade de uma estranha.


Agora, feliz, passava pelo fatídico local e pensava em voz alta: "trágica e desmedida, como sempre". Que fim levou a senhora generosa? E a cliente que ficou sem entender nada? Ria de si mesma – mais uma característica imutável. Sempre achava um jeito de rir. E sempre um jeitinho de chorar enquanto a cidade dorme.

domingo, 19 de abril de 2009

É por aí


"... Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos. Um filme mais ou menos, um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte de sua biografia."
Tenho certeza que Pagu concordaria com esta citação da Martha Medeiros.

sábado, 18 de abril de 2009

Amor e ponto



Houve um tempo em que as certezas fugiam dele – elas conseguiam, ao contrário de mim. Foi um tempo nebuloso em que às vezes chovia, às vezes fazia sol. Mas, independente do clima, a gente se encontrava. Atravessávamos noites e noites lado a lado, acordando mais juntos ou não. Eu me lembro de muitas em que ele adormecia antes de mim. Abraçada ao seu corpo, eu dizia para o silêncio: "Amor". Era solitário. Ficávamos eu e o que não cabia em mim, procurando um lugar que pudesse nos abrigar. Dias e noites se repetiram e o amor se manifestava, seguidas vezes, do coração para a boca, sem enfrentar grandes distâncias. Era um segredo meu comigo. Até um dia em que fechei os olhos antes dele. "Amor." – ouvi num susto. Finalmente ele havia parado de lutar. Não mais se debatia. Num sorriso, se entregava ao que era feliz. Eu chorava. Era alegria demais. Algum tempo depois, já era corriqueiro. Mais algum tempo, você. Que antes era só um outro desejo escondido – também nele. O verbo se fez carne, como ele mesmo disse um dia. (Ainda bem que deu tempo.) A palavra amor seguida de um ponto final é para poucas pessoas e poucos momentos. Para poucos porque é muito.


Texto tirado do blog da Cris Guerra : http://www.parafrancisco.blogspot.com/

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Meus heróis morreram de artrose



Francisco lançou um livro, que segundo alguns críticos lembra a obra "Memórias de minhas putas tristes", do Gabriel García Marquez, e foi dar um rolê na praia.
Só o seguinte, Francisco: ou tu veste uma camiseta ou está tudo acabado entre nós.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

De onde vem os bebês

-Aí, eu tinha uma semente. O papai tinha outra. Juntamos as duas e uma semente bem pequena foi crescendo na minha barriga. Foi crescendo, ganhando perninhas, bracinhos...
- E era eu, né? - disse a menina.
- Sim, aí você foi crescendo e crescendo.
- Aí eu morava na tua barriga com braços, pernas, cabeça, cabelinhos, flores e pirulito... e eu tinha até um sovaco!
- ...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Just dance

Ela, que adora ironia e fatos bizarros, agora só dança.
Dança sob o sol. Dança enquanto coloca os travesseiros na janela. Enquanto solta bolhas de sabão com outra menina que ri.
E as risadas se misturam e viram uma só. Uma já viveu 27 anos, a outra só três. Mas elas se encontram na beleza daquilo que veem. E dançam. Dançam até os pés doerem. Pulam sobre a cama e sentem dores na barriga de tanto que uma ri da outra.

E, para elas, é assim que é. E assim que sempre vai ser.

Bom feriado, gente. Uma páscoa cheia de sol e dancinhas malucas.










quarta-feira, 1 de abril de 2009

Carta ao jovem poeta...


Mário Quintana já havia dito que “a amizade é um amor que nunca morre” e que “(...)os amigos são nossos chatos prediletos”. Tenho certeza de que o poeta queria falar deste tipo de amizade que eu tenho o prazer de viver, nesta insanidade que se chama vida.

Há três anos ganhei um anjo de presente. Um amigo daqueles que não se encontra em qualquer lugar. Alguém que se compartilha risos, choros, sonhos, angústias...

Um amigo que aceita os defeitos mais estanhos.
Este singelo escrito é homenagem bem boba. Empolgada após receber um telefonema de Portugal, que durou mais de uma hora. É um jeito de dizer: que bom que és meu amigo.

É a prova de que nem um oceano imenso diminui o que sentimos. O carinho e a amizade... a ingrata saudade. Um sendo feliz porque o outro É.

Gus, a breguice é bizarra. Um texto piegas e brega, que só quer dizer: obrigada e volte sempre (e logo).

Quem quer se deliciar com os belos textos do meu querido amigo poeta e bocó (ele sim, escreve bem pacas), basta entrar do blog D´além Mar

Ibope