terça-feira, 4 de maio de 2010
Free Hugs
Há que diga que não há diferença entre abraçar e ser abraçado. Eu descobri esses dias que um abraço precisa durar 20 segundos. E inventei e percebi que, para mim, há dois tipos de abraço: aquele que damos para proteger e aquele que damos para sermos protegidos.
O que dou para proteger é o mais óbvio e cotidiano: é o que dou na minha filha. Eu consigo fazer a volta em seu corpo pequenino. Quase posso guardá-la aqui novamente. É um abraço quase de quebrar as costelinhas, um abraço que chega a doer de tanto que me devolve à vida. No começo era um abraço até com um braço só, um ‘monoabraço” já que se tratava de uma pessoa com 50cm e 3kg. A largura vai aumentando, vai acompanhando o crescimento e a medida do amor que sentimos.
O que recebo ao ser protegida vem de uns braços maiores, quase o dobro dos meus. Eles dão a volta em mim. É um abraço forte, quente, que tem o poder de assustar os mais terríveis monstros e fantasmas que possam me rondar. É um abraço em forma de enrosco, como se ele fizesse uma volta em mim e eu me aninhasse nele.
Esses dias, o dono do abraço que me acolhe me surpreendeu dizendo que queria carregar o meu abraço com ele sempre, dizendo que precisava do MEU abraço.
Aí eu percebi que é um abraço troca-troca: eu protejo e sou protegida. Dou amor e recebo. Aperto forte contra o meu corpo e afasto o mau agouro. Minha teoria dos dois tipos de abraços quase vai por terra. Eu me sentia abraçada, mas abraço?
Eu ainda não sei se há de se dividir os abraços por categoria.
Abraço de amigo – é quase o abraço de amor, mas é mais divertido, mais rápido
Abraço de tia – sempre vem acompanhado do “nossa como você cresceu/ engordou/ mudou
Abraço de vó - tem um cheiro doce de afeto, pode vir acompanhado de um colo
Abraço de mãe – leve um abraço e ganhe um puxão de orelha ou algo como “está frio, leva um casaco”
Abraço camarada – é um abraço rápido, como se ambos quisessem acabar logo com aquilo (não sei bem com é, porque evito abraçar estranhos)
Abraço non sense – acaba sempre com aquele tapinha nas costas e tira o sentido todo da coisa
Também não sei o motivo de eu ter resolvido falar de abraço aqui. Talvez seja pela necessidade que temos de registrar as coisas, como se isso garantisse algo. Eu não tenho a pretensão de garantir nada. Só quero poder ter os braços em dia para longos abraços, e que assim seja!
Assinar:
Postagens (Atom)
