terça-feira, 30 de março de 2010

Nada contra. Mas também nada a favor

Hoje cedo eu estava no momento mais irritante do dia: andando pelo Ticen. Um senhor berrava as profecias e palavras de Deus enquanto entregava panfletos. Vociferava absurdos e minha irritação ia aumentando em progressões geométricas.

Ele se aproximou e me deu um papel. Eu educamente peguei, respirei fundo e, como sou amiga do planeta, joguei no lixo.

Ele interrompeu o discurso evangélico e me xingou.
Tudo acabou com eu mantando o profeta se catar. Será que eu vou arder no fogo do inferno?

segunda-feira, 29 de março de 2010

"Vergonhalheia"

Quem me vê andando plácida na calçada não sabe que poderei despencar do salto a qualquer momento.

Já despenquei em pleno ponto de ônibus num dia chuvoso. Cai milimetricamente sobre um uma poça dágua. Já caí na escada do trabalho. Já dei aquelas tropeçadas que todo mundo finge que não vê e finge que não está rindo por dentro.

Capotei de bike numa ladeira em frente a casa do menino que eu era apaixonada na adolescência. Ralei os dois joelhos, um cotovelo e paguei o mico do ano.

Já escorreguei derrubando pasta com 500 folhas dentro em pleno hall da faculdade. Já caí da cadeira enquanto o professor falava.

Já paguei calcinha em plena ventania da Hercílio Luz, protagonizando uma cena de "O Pecado Mora ao Lado", versão trash.

O último tombo foi na sexta passada e meu corpo ainda reclama. Caí em frente a escola da Bruna: auditório lotado e plateia vibrando. Sapato para um lado, braço pro outro. Joelho ralado e roxo. Braço machucado. Ombro doendo. Mas nada comparada a dor de dar vexame.

Elegantemente me recompus. A elegância durou até eu dar de cara com um pai espacando o filho na rua, em plena luz do dia e ameçar o sujeito perguntado se ele conhecia o Conselho Tutelar.

Atrapalhada, caio e bato boca quando acho que tenho razão.

Quem me vê do alto do salto com pérolas no pescoço nem imagina do que sou capaz.

Paixão

Esse post não deixa de ser uma homenagem à Cris Fontinha que reencontrei esse fim de semana. Ela além de estilosa, linda, querida, tem dois filhos lindos e incríveis e é apaixonada por Melissa. Tanto que confessou ter levado umas "chineladas" na infância com as sandálias.Sim, ela é fashion, pois eu levava chineladas de Havaianas ou Samoa, na pior das hipóteses.

 Resolvi entrar no site da Melissa e quase tive um derrame. Um par mais lindo que o outro. O lançamento é a edição dos sapatos baseados em Alice no País das Maravilhas. A estilista Vivienne Westwood criou uma linha para crianças (Bruna e Lígia iam arrasar).




sexta-feira, 12 de março de 2010

Minha mente gira como um ventilador


Estava aqui mastigando um Bubbaloo e pensando na vida...
Sim, estive uns dias ausentes aqui e recebi duas reclamações. Uma é do Jean Mafra (que não é novidade sentir minha falta, porque a zentchi se ama). E um anônimo que sentiu saudade das bizarrices e besteiras que eu escrevo.

Eu estou de saco cheio, o que é normal durante uma semana do mês. Ela é chamada TPM. Chego a pensar que vivo em TPM há 28 anos, mas isso é só pra manter a minha fama de má.

Eu sou a pessoa que mais detesta burocracia nesta vida. Reuniões então, me tiram do sério. Esta semana foi pautada por umas quatro reuniões no trabalho e uma de quase duas horas na escola nova da minha cria.

Adoro reunião de pais. Gosto de ver como as famílias dos amigos da minha filha se comportam. Como a maioria é super careta, porque pensa que virar pai ou mãe significa virar uma pessoa enfadonha. Tem aquela mãe que faz bolo, limpa a casa, costura e borda. Tem o pai que trabalha no banco que usa camisa pra dentro da calça. Tem o pai galã e a mãe gostosona. Tem a família comercial de margarina (aposto que o pai tem um caso com a secretária e a mãe é meio neurótica). Tem a mãe que interrompe a fala da professora para falar do filho como se ele fosse a coisa mais fundamental do universo. Tem a mãe de três, que tem uma cara de cansada, e precisa urgente ir ao salão de beleza. Tem o casal jovem, que dá até uma invejinha na gente, porque parecem ser super felizes e tem um filho fofinho. Tem o casal que pariu o anticristo que persegue e morde a Bruna desde a outra escola. Tem a coordenadora fofa, que fala no diminutivo. A professora linda que parece amar o árduo ofício de comandas 20 pestinhas. 

E lá no meio disso tudo tem essa euzis!! Que durante a reunião lembro que preciso marcar manicure, preciso fazer um passeio bacana com a Bruna, passar mais tempo lendo história pra ela. Lembro que não fui ao dentista, esqueci do exame da ginecologista, perdi a receita do remédio da homeopatia. Lembro que raras foram as vezes que fui um casal com alguém, que já nem ligo quando preciso contar pela enésima vez porque não sou casada e que em reuniões de pais devia haver uma adendo para as mães solteiras.
Lembro que deve ser chato pra cacete ter um filho que bate nos outros. Penso na sorte que tive de ser mãe de uma criança saudável, gente fina e de quebra LINDA. Penso na minha conturbada vidinha escolar, em que advertências e visitas à coordenadora eram rotina. Lembro das freiras correndo atrás de mim com suas roupas esvoaçantes e engraçadas, quando eu insistia em ir até o proibido terceiro andar, onde eram os quartos das ilibadas freirinhas da escola mais tradicional da cidade. Lembrei quantas mil vezes pedia pra ir ao banheiro só para poder dar um rolê no quintal da escola e pensar um pouco na vida.

Pensei em tanta coisa que a reunião de duas horas na escola passou voando. Foram tantas atividades propostas que, pelo jeito. minha cria sairá de lá pronta pro vestibular da USP. Aulas de informática, inglês, natação, balé... 

Tudo na tentativa de que, ao contrário da mãe, ela ocupe a cabeça desde cedo, tome tento e não transforme sua cabeça em um auto center do capeta.
(Cabeça vazia é oficina do diabo para a maioria dos mortais...)

Ibope