quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sempre ela

Eu ando sumida aqui deste recinto. Um motivo é a falta de tempo e o outro é a falta de inspiração mesmo. Não que a vida não ande me inspirando.É que eu tenho preguiça.

Eis que, quando me sinto sem assunto, Bruna surge e larga uma das suas. Agora ela anda namorando. Pois é, falando em casar e tudo com um moleque de 1 metro, loirinho com cabelo de príncipe penico (tigelinha).

Ontem, na volta da escola, eu bem empolgada disse:
- Êba, terá festa junina na casa do Pedro e  as amigas todas vão e o Arthur (o pretê) estará também.
- Ah nãoooo, o Arthur nãoooo, porque ele vai me bater!!!!
- Como assim bater, logo ele?
- É que nosso namoro acabou.
-...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Free Hugs




Há que diga que não há diferença entre abraçar e ser abraçado. Eu descobri esses dias que um abraço precisa durar 20 segundos. E inventei e percebi que, para mim, há dois tipos de abraço: aquele que damos para proteger e aquele que damos para sermos protegidos.



O que dou para proteger é o mais óbvio e cotidiano: é o que dou na minha filha. Eu consigo fazer a volta em seu corpo pequenino. Quase posso guardá-la aqui novamente. É um abraço quase de quebrar as costelinhas, um abraço que chega a doer de tanto que me devolve à vida. No começo era um abraço até com um braço só, um ‘monoabraço” já que se tratava de uma pessoa com 50cm e 3kg. A largura vai aumentando, vai acompanhando o crescimento e a medida do amor que sentimos.



O que recebo ao ser protegida vem de uns braços maiores, quase o dobro dos meus. Eles dão a volta em mim. É um abraço forte, quente, que tem o poder de assustar os mais terríveis monstros e fantasmas que possam me rondar. É um abraço em forma de enrosco, como se ele fizesse uma volta em mim e eu me aninhasse nele.

Esses dias, o dono do abraço que me acolhe me surpreendeu dizendo que queria carregar o meu abraço com ele sempre, dizendo que precisava do MEU abraço.

Aí eu percebi que é um abraço troca-troca: eu protejo e sou protegida. Dou amor e recebo. Aperto forte contra o meu corpo e afasto o mau agouro. Minha teoria dos dois tipos de abraços quase vai por terra. Eu me sentia abraçada, mas abraço?



Eu ainda não sei se há de se dividir os abraços por categoria.

Abraço de amigo – é quase o abraço de amor, mas é mais divertido, mais rápido

Abraço de tia – sempre vem acompanhado do “nossa como você cresceu/ engordou/ mudou

Abraço de vó - tem um cheiro doce de afeto, pode vir acompanhado de um colo

Abraço de mãe – leve um abraço e ganhe um puxão de orelha ou algo como “está frio, leva um casaco”

Abraço camarada – é um abraço rápido, como se ambos quisessem acabar logo com aquilo (não sei bem com é, porque evito abraçar estranhos)

Abraço non sense – acaba sempre com aquele tapinha nas costas e tira o sentido todo da coisa

Também não sei o motivo de eu ter resolvido falar de abraço aqui. Talvez seja pela necessidade que temos de registrar as coisas, como se isso garantisse algo. Eu não tenho a pretensão de garantir nada. Só quero poder ter os braços em dia para longos abraços, e que assim seja!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Animal Planet

Ontem era dia de festa na floresta. Clara, minha afilhada, recebeu lá de dentro da barriga da mamãe vários amigos crazy people num Rock Baby - espécie de chá de fraldas com cerveja e música.

Como vovó sem loção viajou, precisei deixar a neta sem loção na casa da dinda para que mamãe pudesse sair e se divertir.

Eis que meia noite chega uma mensagem: "Ela acordou, as lágrimas correm. Ela quer voltar pra casa e quer a mamãe".
Eu e meu namorado voamos da Lagoa até Barreiros para buscar a cria. Ao ser perguntada sobre o motivo de não ter ficado na casa da dinda ela justificou:

- Eu não sou um jacaré para viver dormindo fora de casa.

Sem entender a nova tese sobre os répteis, eu disse:
- Mas dormir na casa da dinda pode, pode sempre que você quiser.
- Eu só vou dormir na casa das pessoas quanto eu tiver 20 anos.

O registro está feito. Quando ela quiser dormir na casa do namoradinho aos 16, a internet será uma aliada. Agora vou dar um google para descobrir por que os jacarés dormem fora de casa.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A vida como ela é


Matricular seu filho em uma escola bacana, com várias atividades que incentivem às artes, leitura e esporte é uma decisão correta. Só que escolas inventam coisas que reforçam a culpa materna de que nunca estamos fazendo o suficiente.


Abro meu e-mail e tem um convite: "Semana da Literatura na Escola". Além de temas interessantes, os pais estavam convidados a ir até lá numa tarde contar histórias aos colegas do filho.

Bruna chega em casa e diz:

- Hoje a mãe da minha amiga foi lá contar um história, queria que você fosse. Mas não conta essas tuas histórias inventadas, mãe. Conta histórias de um livro!

-...

A culpa já havia tomado conta do meu ser. Bendita mãe da fulana que é dona de casa e deve ser uma mãe que faz bolos e os leva quentinhos na hora do lanche da escola.



Se eu fosse até lá, poderia contar uma história, baseada em fatos (su)reais que começa assim:





Era uma vez uma mãe que não tinha tempo nem para se coçar, nem para preparar um bolo sol, daqueles de caixinha. Ela era mãe de uma linda princesa que morava num castelo todo bagunçado, porque a mãe tinha sempre uma reunião aqui e outra ali.

O castelo ficava em um reino onde algum FDP inventou que as mulheres deviam conquistar o mercado de trabalho e ainda ter tempo de fazer as unhas e tratar a celulite. Nesse reino havia uma rainha má chamada Culpa Materna. Há muito tempo essa rainha assombrava as mães das princesas como aquele lenhador da Branca de Neve. A rainha Culpa era inimiga da rainha Perfeição, ao contrário da rainha Pressa que não era inimiga de ninguém. E falando em pressa, essa tia aqui, mãe da princesa Bruna, precisa voar. Enquanto estou aqui contando essa história 15 e-mails por minutos chegam na minha caixa postal, a geladeira está vazia, esqueci de comprar água e marcar depilação...



(continua)

Ibope