Ontem era dia de festa na floresta. Clara, minha afilhada, recebeu lá de dentro da barriga da mamãe vários amigos crazy people num Rock Baby - espécie de chá de fraldas com cerveja e música.
Como vovó sem loção viajou, precisei deixar a neta sem loção na casa da dinda para que mamãe pudesse sair e se divertir.
Eis que meia noite chega uma mensagem: "Ela acordou, as lágrimas correm. Ela quer voltar pra casa e quer a mamãe".
Eu e meu namorado voamos da Lagoa até Barreiros para buscar a cria. Ao ser perguntada sobre o motivo de não ter ficado na casa da dinda ela justificou:
- Eu não sou um jacaré para viver dormindo fora de casa.
Sem entender a nova tese sobre os répteis, eu disse:
- Mas dormir na casa da dinda pode, pode sempre que você quiser.
- Eu só vou dormir na casa das pessoas quanto eu tiver 20 anos.
O registro está feito. Quando ela quiser dormir na casa do namoradinho aos 16, a internet será uma aliada. Agora vou dar um google para descobrir por que os jacarés dormem fora de casa.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
A vida como ela é
Matricular seu filho em uma escola bacana, com várias atividades que incentivem às artes, leitura e esporte é uma decisão correta. Só que escolas inventam coisas que reforçam a culpa materna de que nunca estamos fazendo o suficiente.
Abro meu e-mail e tem um convite: "Semana da Literatura na Escola". Além de temas interessantes, os pais estavam convidados a ir até lá numa tarde contar histórias aos colegas do filho.
Bruna chega em casa e diz:
- Hoje a mãe da minha amiga foi lá contar um história, queria que você fosse. Mas não conta essas tuas histórias inventadas, mãe. Conta histórias de um livro!
-...
A culpa já havia tomado conta do meu ser. Bendita mãe da fulana que é dona de casa e deve ser uma mãe que faz bolos e os leva quentinhos na hora do lanche da escola.
Se eu fosse até lá, poderia contar uma história, baseada em fatos (su)reais que começa assim:
Era uma vez uma mãe que não tinha tempo nem para se coçar, nem para preparar um bolo sol, daqueles de caixinha. Ela era mãe de uma linda princesa que morava num castelo todo bagunçado, porque a mãe tinha sempre uma reunião aqui e outra ali.
O castelo ficava em um reino onde algum FDP inventou que as mulheres deviam conquistar o mercado de trabalho e ainda ter tempo de fazer as unhas e tratar a celulite. Nesse reino havia uma rainha má chamada Culpa Materna. Há muito tempo essa rainha assombrava as mães das princesas como aquele lenhador da Branca de Neve. A rainha Culpa era inimiga da rainha Perfeição, ao contrário da rainha Pressa que não era inimiga de ninguém. E falando em pressa, essa tia aqui, mãe da princesa Bruna, precisa voar. Enquanto estou aqui contando essa história 15 e-mails por minutos chegam na minha caixa postal, a geladeira está vazia, esqueci de comprar água e marcar depilação...
(continua)
segunda-feira, 12 de abril de 2010
(quase) Independente
Bruna entra no banheiro com o dedo indicador em riste, mão na cintura e diz:
- Mãe, você vai terminar rápido o banho, se secar, ir lá pro quarto, ficar lá bem comportada que eu vou agora fazer um cocô. So-zi-nha.
Espantada com as ordens nem respondi.Quando eu estava na porta do banheiro, ela ergue o dedinho mais uma vez e diz:
- E óó: depois você tem que me limpar.
Resumindo. Pose e jeito de mandona ela já tem. Mas precisa da mamãe ainda pra limpar o bumbum. Sim, ela é um bebê ainda!
- Mãe, você vai terminar rápido o banho, se secar, ir lá pro quarto, ficar lá bem comportada que eu vou agora fazer um cocô. So-zi-nha.
Espantada com as ordens nem respondi.Quando eu estava na porta do banheiro, ela ergue o dedinho mais uma vez e diz:
- E óó: depois você tem que me limpar.
Resumindo. Pose e jeito de mandona ela já tem. Mas precisa da mamãe ainda pra limpar o bumbum. Sim, ela é um bebê ainda!
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Sobre o direito de dizer, de rir, de ser normal e incorreto
"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.” (Nietzsche)
Esse post é só um desabafo. Eu ando cansada com essas incongruências das normas, leis e regrinhas de convívio social.
Tenho vivido determinadas situações que me levam a crer que vivemos numa espécie de ditadura militar repaginada, com direito a dedos na cara e julgamentos precipitados.
Meu amigo tão querido, Fábio Bruggeman, escreveu semana atrás sobre “O Direito de Dizer”, em seu blog. Leia aqui.
Fábio conseguiu mais uma vez me calar. Por disse justamente aquilo que eu quero dizer agora. Não podemos mais ter a liberdade de pensar, querer e sentir como ingenuamente pensava que tínhamos. Eu sou do tipo que acredita na democracia, apesar de saber que, muitas vezes, ela é só uma palavra.
Queria poder continuar rindo e falando certas bobagens, seja aqui, no twitter ou em uma mesa de bar, sem sentir aquela culpa cristã que me faz querer justificar as besteiras ditas a cada meia hora.
Fica aqui me desabafo. Fica aqui o desejo de seguir sendo livre, sendo leve. Condeno preconceitos e condeno o exagero ao politicamente correto. Que cada um seja livre, seja leve. Que cada um ria das próprias desgraças e traga um pouco mais de purpurina a uma vida que surge caótica até mesmo num dia ensolarado.
Aviso aqui e deixo registrado que seguirei rindo e seguirei tirando onde a perseguindo os evangélicos chatos do centro, os fanáticos de todos os gêneros, os fãs histéricos de bandas escalafobéticas, os militantes, os militares que correm e cantam coisas estranhas na rua da minha casa, seguirei reclamando da falta de noção de alguns humanos, seguirei rogando quem fala que tem “serviço que pega às 8h e larga às 18h”, rirei dos burocráticos e suas pastinhas cheias de papeis chatinhos, terei bronca com quem chama música de canção.... (não me lembro agora do resto, mas é coisa pacas).
Esse post é só um desabafo. Eu ando cansada com essas incongruências das normas, leis e regrinhas de convívio social.
Tenho vivido determinadas situações que me levam a crer que vivemos numa espécie de ditadura militar repaginada, com direito a dedos na cara e julgamentos precipitados.
Meu amigo tão querido, Fábio Bruggeman, escreveu semana atrás sobre “O Direito de Dizer”, em seu blog. Leia aqui.
Fábio conseguiu mais uma vez me calar. Por disse justamente aquilo que eu quero dizer agora. Não podemos mais ter a liberdade de pensar, querer e sentir como ingenuamente pensava que tínhamos. Eu sou do tipo que acredita na democracia, apesar de saber que, muitas vezes, ela é só uma palavra.
Queria poder continuar rindo e falando certas bobagens, seja aqui, no twitter ou em uma mesa de bar, sem sentir aquela culpa cristã que me faz querer justificar as besteiras ditas a cada meia hora.
Fica aqui me desabafo. Fica aqui o desejo de seguir sendo livre, sendo leve. Condeno preconceitos e condeno o exagero ao politicamente correto. Que cada um seja livre, seja leve. Que cada um ria das próprias desgraças e traga um pouco mais de purpurina a uma vida que surge caótica até mesmo num dia ensolarado.
Aviso aqui e deixo registrado que seguirei rindo e seguirei tirando onde a perseguindo os evangélicos chatos do centro, os fanáticos de todos os gêneros, os fãs histéricos de bandas escalafobéticas, os militantes, os militares que correm e cantam coisas estranhas na rua da minha casa, seguirei reclamando da falta de noção de alguns humanos, seguirei rogando quem fala que tem “serviço que pega às 8h e larga às 18h”, rirei dos burocráticos e suas pastinhas cheias de papeis chatinhos, terei bronca com quem chama música de canção.... (não me lembro agora do resto, mas é coisa pacas).
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