Meus pais adoram contar uma história constrangedora de minha infância querida que os anos não trazem mais. É muito chato ouvi-la há 27 anos. Todo amigo novo que aparece em casa, eles contam. Fico impressionada com o entusiasmo que contam. Como se ela tivesse acontecido ontem. E fico pasma também com minha capacidade de sair do ar por uns minutos enquanto a história é contada novamente. Eu simplesmente desligo a chave, canto baixinho e logo passa. Creio que será sempre assim.
A tal história é que com três/quatro anos eu ia a uma psicóloga. Ela atendia numa clínica que ficava umas duas quadras da minha casa. Um belo dia eu fugi e fui encontrada na sala de espera do consultório. Bem sentadinha esperando para uma consulta de emergência (ou um encaixe na agenda).
Desde cedo tive vontade de me salvar. E fugir. Era só isso. Nada de mais. Nada raro.